Dum papo entre a paulistana MEIROCA http://meiroca.com/2008/
02/05/pela-vlorizacao-da-mulher-brasileira/ e a LYS http://universodesconexo.wordpress.com/coletiva-pelas-mulheres/, brasileira que vive na Inglaterra, nasceu a idéia desta blogagem coletiva. À época o assunto entre elas girava sobre a visão que o estrangeiro tem da mulher brasileira, chegando eles até ao cúmulo de achar que todas andam nuas, são prostitutas, máquinas de sexo, etc. e tal. Não conseguem ver os méritos todos da verdadeira mulher brasileira além da beleza, que de fato é singular.
¿E porque os estrangeiros têm essa imagem distorcida da mulher brasileira? É óbvio. Por nossa culpa mesmo! Por conta das intensas divulgações que as empresas e órgãos nacionais de turismo fazem na TV lá de fora por ocasião do carnaval: VENDEM APENAS O CORPO DAS MULHERES, COMO MERCADORIA DE UM-E-NOVENTA-E-NOVE, ao mostrar imagens de mulheres sensuais, seminuas das escolas-de-samba, etc., apenas para captar dólares para a economia capitalista. Porém, paradoxalmente depois da festa as direções dessas mesmas “embratures” ficam falando que os estrangeiros só vêm aqui para fazer turismo sexual. Ora, tenham paciência, seus dissimulados!
Sabemos que MEIROCA e LYS têm toda razão quanto ao grito pela valorização da mulher brasileira, aqui e lá fora, e daí participarmos dessa blogagem coletiva. Somos avessos a qualquer tipo de preconceito ou exploração. Abominamos essa política estúpida que a Embratur e outros órgãos governamentais – ou não – fazem para trazer turistas e dólares para o país, que, aliás, é lindo de ponta-a-ponta, privilegiadíssimo pela Mãe Natureza.
No entanto, sem esquecer o constrangimento por que passam lá fora as nossas Lyses, as Ruthes, as Meires, as Dirces e as Marias na suada busca da dignidade material e espiritual que na condição de suas-filhas esta Terra-de-Santa-Cruz não lhes dera, eu gostaria de entoar canto hoje em favor da valorização da mulher brasileira sim, mas especialmente quanto a uma HEROÍNA BRASILEIRA.
Trata-se de uma mulher NADA FRÁGIL, que desde 2005, quando investiu contra o IMPÉRIO DO DRAGÃO TOGADO, vem equilibradamente padecendo toda sorte de agressão e constrangimento ditatorial aos seus mais sagrados afetos e aos CONSTITUCIONAIS direitos de expressão, lhe impingidos bem ao estilo dos malditos e já-foram-tarde anos-de-chumbo!
¿E sabem onde está a raiz do sofrimento psicológico dessa heroína? Nas chamas da boca do dragão imperial que por alguns cantões das belas Geraes insiste corporativa e sorrateiramente em manter vivas as vetustas práticas aprendidas dos tempos da Coroa – o silêncio pela força da mordaça –, notadamente aquelas havidas contra Tiradentes e seus amigos inconfidentes, que primeiramente foram jogados em frias masmorras por anos, lá deixados ferradamente agrilhoados, e depois desterrados a maioria deles, culminando por levar o líder à forca, depois esquartejado. Tudo por conta de suas idéias de liberdade e respeito aos nacionais!
E pasmem. Essas dores atuais foram causadas à nossa heroína por pessoas que deveriam tão-só representar o Estado-Juiz ou o Fiscal-da-Lei quando instados processualmente, e não se fazer juiz de seu ego eu-achei ou não-gostei.
Falo da gigante heroína brasileira MARIA DA GLÓRIA COSTA REIS, u
ma professora aposentada mineira que foi condenada com base na Lei de Imprensa nº 5.250/1967 (portanto, um monstro criado no período da ditadura militar no Brasil, e que, justamente por isso, há poucos dias viu suspensos alguns de seus artigos pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal – STF).
Pasme mulher brasileira: a condenação de GLÓRIA foi esculpida pelas mãos doutra mulher brasileira, a juíza Tânia Maria Elias Chain do Juizado Especial Criminal de Leopoldina, Minas Gerais, em favor de seu coleg’amigo-juiz, daquela mesma comarca, José Alfredo Jünger de Souza Vieira. No mínimo a juíza deveria ter ouvido seu foro íntimo – amiga do juiz Vieira, lotado na mesma instância e comarca –, e se dado por impedida para proferir aquela decisão. Mas não, mostrou o forro íntimo e as entranhas do corporativismo que a norteia no mister. Pobre Justiça Mineira... Pobres Geraes...
¿Imaginam qual o crime de GLÓRIA? Haver escrito em 2005 um editorial no jornal ReComeço (edição nº 117), sob o título Que regime é este?, http://www.jornalrecomeco.com/edicao/edicao_117/Pag01.gif em que, analisando a Lei nº 10.792/1º.12.2003 (Lei de criou o RDD – Regime Disciplinar Diferenciado, que trata do regime disciplinar aos presos com falta grave – líderes de facções criminosas e outros tipos) em confronto com a Lei 7.210/11.07.1984 (Lei de Execuções Penais, que trata da forma de cumprimento da pena pelo condenado), e demonstrando indignação pelas condições desumanas infligidas aos encarcerados de Leopoldina, que estavam à época tomando banho de sol apenas uma vez por semana, e recebendo visitas de tão-só quinze (15) minutos, e mais, só através das grades. Outros presos estavam HAVIA ONZE (11) MESES SEM SAIR DA CELA SEQUER PARA UM BANHO DE SOL, movida por seu abnegado coração solidário, ao final daquele editorial GLÓRIA escreveu que:
“... Não é aceitável a conivência de magistrados, fiscais da lei, advogados, enfim, operadores do direito com tamanha barbárie. O regime atual é um desrespeito à Constituição, à lei, aos cidadãos deste país, enfim, à nossa inteligência.”
Durante a última audiência do processo a dita juíza condenadora, Tânia, certamente com a sentença já prontinha-da-silva na gaveta, ao alcance da mão, com todo sarcasmo se voltou para a heroína GLÓRIA e verberou:
“– É melhor a senhora aceitar a transação penal porque NÃO HÁ A MÍNIMA POSSIBILIDADE DE ABSOLVIÇÃO, EMBORA EU NEM TENHA LIDO o processo.”
Em certa altura da sentença a juíza condenadora Tânia, quando já havia desconsiderado todos os depoimentos das testemunhas em favor da GLÓRIA, ao argumento de que elas trabalhavam com GLÓRIA no atendimento aos presos de Leopoldina e por isso lhes eram amigas, não tinham isenção no que testemunhavam, arrematou dizendo que:
“... a postura da acusada foi completamente equivocada, vez que, se tais problemas, de fato, aconteciam, questionar,
Para quem não a conhece, GLÓRIA, entre outras atividades solidárias que encabeçou e ainda está à frente, é uma das fundadoras e Editora do Jornal ReComeço, que há mais de seis anos circula em Leopoldina (MG) dando voz aos encarcerados que, apesar de estarem pagando seus débitos com a sociedade, continuam sendo humanos, filhos desta pátria, portanto que devem ser constitucionalmente protegidos.
GLÓRIA é também autora do livro ESCOLA – Instituição da Tortura (Edit. Scortecci), e coordenadora do projeto leopoldinense CENACAF – Centro de Atendimento à Criança, Adolescente e Família.
Mas o que me deixa pasmo diante da aberração contra direitos que representa a tal sentença, é que, no entanto, não vi até agora uma iniciativa dos órgãos do Ministério Público mineiro e nem dos juízes mineiros das muitas Varas de Execuções Penais, processando com a mesma gana de pré-sentença o Ministro do Supremo Tribunal Federal - STF, Marco Aurélio Mendes de Farias Mello, por ter ele expressado opinião, friso, contra TODOS os juízes e promotores nacionais, incluindo aí o sedizente agredido José Alfredo Jünger de Souza Vieira e sua coleg’amiga condenadora Tânia Maria Elias Chain, dizendo que:
“... Prisões brasileiras fariam enrubescer nazistas” e “... O Estado brasileiro desonra a Constituição quando amontoa presos em cadeias imundas, sem luz, sem banheiros, sem ar, sem um mínimo de dignidade.”
Ao contrário do que se manifestou a juíza condenadora, tem sim os juizes das varas de execuções penais a obrigação, entre outras, de visitar ao menos uma vez por mês as delegacias e ver as condições dos presos que estão sob sua jurisdição, e de resolverem-lhe os problemas. É para isso também que eles estão no cargo. Aliás, não se pode esquecer de casos MINEIROS em que certo juiz – salvo engano, de Betim ou Contagem – até mandou soltar os presos porque o Estado que os deveriam cuidar, não lhes dava dignidade humanamente aceitável.
Não, blogamigas Meiroca e Lyz, mesmo respeitando as opiniões divergentes, em nosso entendimento GLÓRIA é que é o ícone da VALORIZAÇÃO DA MULHER BRASILEIRA DE 2008, e que, não temos dúvidas, verá as chamas do dragão se apagarem após a cassação da esdrúxula sentença corporativa que viu ser lançada contra si!
Antes de tratarmos dos sabidos desconfortos e humilhações que sofrem nossas mulheres brasileiras que vivem no exterior, como eu disse, e isso por conta de iniciativas privadas e governamentais equivocadas, é preciso que TODOS ajudemos as GLÓRIAS que ficaram no Brasil a lavarem esse tipo de “roupa suja” denunciada, e que muito nos envergonha quando estamos aqui ou em outra parte do mundo. Precisamos ajudar GLÓRIA a pôr fim a uma JUSTIÇA casuística, em que grande parte dos juizes dos torrões pátrios julgam ao sabor do humor de seus fígados, desnorteados e divorciados dos mais elementares direitos assegurados aos cidadãos, sobretudo o de EXPRESSÃO!
Não tenho dúvidas: em breve veremos os senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal – STF, a mais alta Corte do país, presidida por uma mulher, a Ministra Ellen Gracie Northfleet, fazerem voltar às suas cavernas todos os dragões...
VIVA GLÓRIA REIS! A HEROÍNA QUE VALORIZA A MULHER BRASILEIRA!
"Viver é acreditar no amanhã melhor, seja como for, apesar de tudo, crendo na força do universo velando por nós." (Constantino)
“O Juiz deve ter opinião porque não há justiça neutra. O juiz é um cidadão comum, decide a favor da classe dominante ou dos oprimidos.”
Desembargador FERNANDO DA COSTA TOURINHO NETO
(1º Tribunal Regional Federal/Brasília - ISTOÉ/1597-10/5/2000, p. 36)
Imagens: WEB



20 comentários:
Muito obrigado Menestrel por ter aberto nossos olhos diante de tais absurdos, não tinha conhecimento aprofundado dos fatos geradores da pendenga juridica.
Embora eu nao esteja participando por motivos pessoais nao poderia deixar de prestigiar teu post. Foi muito alem do que muitos esperavam porque ha muito que se valorizar nossa mulher em nosso Pais primeiramente.
Parabéns para todas mulheres pelo dia de hoje...
Parabéns Balestra por falar desta grande injustiçada que é a Gloria Reis, quandse se enfrenta o sistema é assim mesmo.
Que maravilha, navegar aqui pelo blog e conhecer estas historias, justas homenagens, justos resgates a tantas Marias e Glórias. Porque não devemos esquecer. Porque devemos aprender e repassar esta sabedoria.E se queremos justiça, é criticando e abrindo os olhos da justiça (sim, porque raios ha de ser a justiça cega? Deveria estar de olhos bem ab ertos)que chegaremos lá. Bom domingo para todos.
Caro amigo Roberto, obrigada não só pela homenagem, como também pela belíssima explanação do episódio que, penso, deve interessar a todos os brasileiros, para que comecem a se dar conta do tipo de justiça que temos em nosso país. Como no O PROCESSO de Kafka, o que fizeram comigo é o que fazem com muitos e esta tem sido a razão da minha luta e de tornar pública o mais posssível esta sentença. Parodoxalmente, essa condenação veio demonstrar uma das minhas maiores indignações: o quanto o judiciário abusa irresponsavelmente da pena de prisão, destruindo vidas e promovendo mais violência. Não sou de valorizar homenagens porque lutar por justiça e cidadania é nosso dever e obrigação, mas neste momento, diante desta sentença absurda, estou repassando cada homenagem às vítimas, como eu, desse sistema burocrático, corporativista, insensível e cruel.
Grande abraço comovido. Glória
Não há como não apoiar o repúdio a tudo que fira a justiça em favor do corporativismo.Parabéns pelo equilíbrio e pela clareza.José Carlos.
Roberto, precisamos fazer alguma coisa pro essa mulher. Vou falar com a LYs e a Meiroca para nos unirmos. Afinla de contas usaram dois pesos e duas medidas.
Me perdoem as minhas amigas mulheres. Mas na maioria das vezes, a inimiga da mulher é quase sempre outra mulher.Eu, via email, meses atrás, lhe disse de meu descontentamento com a advocacia e por isso prefiro sair de cuia nas maos pedindo ajuda paa os refugiados - até o dia em que darei pontapé ao lancamento de um livro e assim, eu possa me ajuda r e ajudar a eles também- DO QUE OUVIR SER PROFERIDA DIANTE DE MIM ,UMA SENTENÇA BARATA, TACANHA E VULGAR. EU tenho nojo de nossa JUSTIÇA. E por isso, pouco vou dar valor a ter um NUMERO de OAB - ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL - QUANDO HÁ TANTO DESCALABRO.
Sinceramente falando, Deus fez e muito BEM me tirar desse meio que me mebrulha o estômago.
Beijos e dias felizes.
Grace
Roberto, qta injustiça!
E qtas Glorias, Marias, Anas e muitas outras tb não estão em algum canto do Brasil ou do mundo sofrendo algum tipo de injustiça?
Pra isso serve a Blogagem Coletiva, e com ela muitos de nos tomamos conhecimento do que esta' acontecendo com a Gloria.
Obrigada por usa participação.
Meire
Repugnante essa condenação, na verdade quanto mais calados ficamos melhor para o sistema.
Apesar do absurdo que li, foi muito bom conhecer a GLÓRIA, com certeza sua luta não será em vão, apesar de não acreditar na justiça dos homens,mas acredito na justiça de Deus.Beijos e bom dia
Repugnante essa condenação, na verdade quanto mais calados ficamos melhor para o sistema.
Apesar do absurdo que li, foi muito bom conhecer a GLÓRIA, com certeza sua luta não será em vão, apesar de não acreditar na justiça dos homens,mas acredito na justiça de Deus.Beijos e bom dia
nossa,dr Balestra,q absurdo,fiquei abismada com tamanha injsutiça ,e o pior,praticada por uma mulher contra outra,pq apenas disse a verdade.
Estava com saudade de vc!!!abço fraterno!!MESTREEEEEEEEEEEEEE
nossa,dr Balestra,q absurdo,fiquei abismada com tamanha injsutiça ,e o pior,praticada por uma mulher contra outra,pq apenas disse a verdade.
Estava com saudade de vc!!!abço fraterno!!MESTREEEEEEEEEEEEEE
Injustiças...Caro Balestra não participei da blogagem, mas sim da homenagem em meu site.Na verdade eu havia antecipado as homenagens já a quinze dias e continuo nesta semana e na outra homenageando-as! O Corporativismo no Brasil, vem realizando já há anos barbaridades...esta é mais uma delas, senão das mais bárbaras!Mas tu descrevestes com tal maestria que foi mais que uma homenagem foi, um Desagravo à mulher guerreira. abçs
Roberto, cada dia mais engrandece-se minha admiração por você. Não só como "Homem das Letras", mas como "Homem". Sua indignação com o caso mostra sua sensibilidade e caráter diante desses absurdos. Sua coragem de luta e solidariedade à GLORIA demonstra a sua grandeza humana. Parabéns! O Dia Internacional da Mulher é também dos Homens como você. Beijo.
Oiiiiiiiii passei por aqui pra dar um "oizinho"...
Excelente essa sua homenagens às mulheres no Dia Internacional da Mulher, meu caro Balestra. A ditadura foi o período negro da história brasileira.
Bom dia amiguinho...por que sumiste?
Beijos
Evelize
Excelente sua participacao nos trazendo a tona casos como esse da Maria da Gloria. Eh importante para nos tomarmos conhecimento desses fatos e nao deixar perder em nossa memoria a luta de mulheres como essa e todas as outras que morreram anonimamente na ditadura militar.
Essa ainda esta viva e podemos lutar por ela. Voce esta fazendo sua parte de forma exemplar, nos trazendo a essa questao que pelo menos eu nao conhecia. E assim como essa devem haver varias em situacao semelhante. Nao apenas mulheres mas homens que tentam fazer algo positivo para o bem da humanidade.
Um abraco,
Lys
bALESTRA PENA ESTAR COM POUCO TEMPO PARA ESTICAR MEUS COMENTÁRIOS. bOA SORTE E UM GRANDE ABRAÇO. DAVISAO. ESTOU MANDANDO COMO ANONIMO PQ ESQUECI A SENHA
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